Valter Corrêa, o poeta Pajeú, traz-nos neste trabalho,
a analogia da cobra. O termo ‘cobra’ em todas a
sua esferas e vícios. Aliás, de ‘cobra criada’
que é, o nosso poeta, filósofo e advogado, remonta
a coisa da astúcia de ser intrigante que, envenando o
homem, transfigura-o como num ato de mutação natural
e contínua. Simples assim. É o que chama de “a
cobra industrial”.
No mais... que o poema de Pajeú fale por si...
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A
Cobra
O homem está envenenado.
Quem inventou a cobra?
A natureza?
Deus?
Cristo?
Mas ela foi inventada.
E veio envenenada.
Criada.
E existe.
Dá medo!
Não dá tempo
Para sentir tanto medo.
Porque o medo existe.
Existem tantas cobras,
Que elas envenenaram o mundo.
O mundo está envenenado.
Não é aqui, nem é ali.
Aqui é ali e lá é o outro lado,
Do outro lado do mundo.
Mas todos os lados do mundo estão envenenados.
As cobras voam.
As cobras navegam.
Andam, correm.
O homem não acompanha, porque está envenenado.
O homem, a mulher, o gato, o cachorro, o papagaio,
A flora e a fauna estão envenenados.
Mas a cobra é industrial.
Ela criou o veneno, o produto, o dinheiro.
E, aí, envenenou o mundo.
Sim, o produto.
O produto que encantou Adão e Eva.
Eles comeram a maçã.
A maçã envenenada.
Então, a cobra é culpada.
(...)