Daiana Fonseca apareceu-me
neste ano “com e como” uma surpresa poética
agradável de se ler. Leveza funde-se com aspereza em
seu sintetizar poético. É, pois, desta forma que
transcreve-se ao definir seu elo com a palavra como sendo parte
de seu corpo, elemento de seus fluídos, motivo de seu
respirar. Rosa e espinho materializam-se de corpo e alma. Isso
é Daiana Fonseca marcando seu território no território
literário. Vale conferir.
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SOU,
PALAVRA
Descubro-me invocadora
de palavras febrilmente reencontradas
procuro-as unicamente para definirem
quem sou.
Sou palavras,
sou formada por sílabas
unidas uma a uma
em um emaranhado sem fim
de um léxico complexo
perdido e indefinido
extremamente latino em seu desuso
e anglo-saxão em seus excessos.
Sou palavra,
formada por letras
unidas e separadas a meu bel prazer
um tanto quanto vocálica
um tanto quanto consonantal
unicamente para explodir
em sons métricos e ritmados.
Sou palavra
complexa
sem ter minha semântica
em dicionário algum.
Sem sentido, sem som
apenas uma justaposição
amalucada de sufixos e radicais.