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  Ginho Martinelli
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Feliz dia dos Pais

Certa noite acordei chorando.
Meus olhos o buscavam com muita ânsia de encontrá-lo. Quando mais que rapidamente, entraste pela porta adentro com a respiração bastante ofegante vindo em minha direção.
Recordo-me que te abracei e de olhos ainda fechados, não sabia o que te dizer, apenas te sentia bem próximo a mim. E minhas lágrimas cessaram com a sua presença.
Ainda me recordo das balas trazidas por ti, em suas viagens. Da chegada sempre acompanhada de um abraço, do suor em tua face e da alegria de retornares ao lar. E quando me olhava com o ar sério para me chamar a atenção, terminava querendo saber de tudo já estava bem.
Recordo-me também de uma única vez que te vi chorar. Foram lágrimas, mas que hoje talvez, entenda o motivo. Excesso de amor e aí o tempo passou, passou, e tu continuas aí me observando, me esperando gritar teu nome. Sempre de prontidão.
Só que hoje pai, eu cresci. Não só no tamanho, mas na idade também. Os olhos ainda são pequenos, mas meus sonhos são maiores. E mesmo sabendo, que estás aí, quero hoje caminhar bem teus braços a me amparar.
Quero tropeçar e depois continuar, quero cair e depois levantar, quero chorar e depois sorrir, quero perder e depois ganhar, quero correr o mundo e voltar ao ponto de partida.
Quero simplesmente errar para depois acertar.
Quero brigar para depois amar, quero sentir frio e depois sentir calor.
Quero me molhar para depois me secar, quero olhar para você e dizer não somente pai, mas poder dizer junto deste pai um pai amigo.
Eu cresci pai. Mas ainda te tenho tão próximo a mim, que tenho medo de que me vejas chorar e corra novamente ao meu encontro. Que faças por mim o que sempre fizestes, sem me deixar “tropeçar, cair, chorar, perder, não ser, correr o mundo, errar, brigar, sentir frio, molhar, olhar, para você?”
Por isso pai, também depois de grande só me vistes chorar como você uma única vez. E ainda, depois de ter parado a infância, a adolescência e ainda a fase adulta que me encontro, talvez ainda tenha que esperar a velhice, para ter a coragem de dizer que te amo.
E aí pai estaremos ambos bem velhinhos e choraremos juntos, talvez lamentando o tempo que passou e que não tivemos coragem de nos dizer verbalmente que nos amávamos. Porque apenas demonstrávamos através de atos (creio que você, mais do que eu) que nos amamos.
E sem tua fantasia de Super Homem protetor de seus filhos, choraremos de emoção e nos abraçaremos dizendo “Te Amo”. Obrigado meu pai. E desculpe-me por me achar grande para não te preocupares mais comigo.
Dedicado a todos os pais, que se fazem presentes na vida de seus filhos e com o excesso de amor, os tornam esperançosos por serem grandes e de quererem correr riscos, com a certeza de vencerem no final.

 


 


EDIÇÃO 29

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