Nos cidadãos deste Brasil
de tantas queimadas desmatamentos e poluição.
Amanhecemos com uma lucidez que nos espanta e queremos a ti
nos confessar. Quem foi que nos concedeu todo esse poder para
ti dizermos onde tu e teu povo devem esta?
A força de nossa palavra, de nossas tantas letras escritas,
de nosso terno alinhado, de nosso ar condicionado?
Aonde te levou a nossa louca sede de progresso (progresso)?
Que injustas trocas te propusemos?
O rio límpido pelo mar de mercúrio. As matas fartas
de beleza tantas pelo desumano desmatamento. Os mistérios
escondidos nas noites de lua pelos abafados gemidos da mafária
febre.
Os dias tão belos de raios de sol pela fumaça
pestilenta das queimadas. O ronco do trovão, que respeitar
pelo clamor ensurdecedor das serras elétricas.
Como foi que nossa ambição te transformou nessa
Bíafra, Etiópia? Como foi que ti fizemos escravo
ilhado nesta terra que era tua?
Que sabemos nós de tuas dores, de tuas mazelas, de teus
ódios, de teus amores, de tuas maldades, de tuas verdades,
de tuas ambições, de tuas verdadeiras crenças,
de teus medos?
Nós lhes impusemos os nossos.
Não te sabemos dócil, não te sabemos santo,
não te sabemos herói. Então, não
te soubemos humano.
Nós que condenamos Hitler te fizemos prisioneiros de
nossa própria Auschivitz. Degradados, prostituídos,
embebedados, aculturados.
Nós cidadãos deste Brasil, te submetemos á
nossa própria soberania.
Porque somos quem sabe o que merecem, quanto merecem e onde
merecem.
Porque somos nós, senhores das letras, quem reescrevem
as leis de teu povo, da tua raça, de tua gente.
Mas hoje, nós cidadãos deste Brasil, neste abril
de tantas queimadas, amanhecemos com uma lucidez que nos espanta,
e necessitamos, apenas e simplesmente te pedir perdão.