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  Ginho Martinelli
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A nação indígena

Nos cidadãos deste Brasil de tantas queimadas desmatamentos e poluição. Amanhecemos com uma lucidez que nos espanta e queremos a ti nos confessar. Quem foi que nos concedeu todo esse poder para ti dizermos onde tu e teu povo devem esta?
A força de nossa palavra, de nossas tantas letras escritas, de nosso terno alinhado, de nosso ar condicionado?
Aonde te levou a nossa louca sede de progresso (progresso)?
Que injustas trocas te propusemos?
O rio límpido pelo mar de mercúrio. As matas fartas de beleza tantas pelo desumano desmatamento. Os mistérios escondidos nas noites de lua pelos abafados gemidos da mafária febre.
Os dias tão belos de raios de sol pela fumaça pestilenta das queimadas. O ronco do trovão, que respeitar pelo clamor ensurdecedor das serras elétricas.
Como foi que nossa ambição te transformou nessa Bíafra, Etiópia? Como foi que ti fizemos escravo ilhado nesta terra que era tua?
Que sabemos nós de tuas dores, de tuas mazelas, de teus ódios, de teus amores, de tuas maldades, de tuas verdades, de tuas ambições, de tuas verdadeiras crenças, de teus medos?
Nós lhes impusemos os nossos.
Não te sabemos dócil, não te sabemos santo, não te sabemos herói. Então, não te soubemos humano.
Nós que condenamos Hitler te fizemos prisioneiros de nossa própria Auschivitz. Degradados, prostituídos, embebedados, aculturados.
Nós cidadãos deste Brasil, te submetemos á nossa própria soberania.
Porque somos quem sabe o que merecem, quanto merecem e onde merecem.
Porque somos nós, senhores das letras, quem reescrevem as leis de teu povo, da tua raça, de tua gente.
Mas hoje, nós cidadãos deste Brasil, neste abril de tantas queimadas, amanhecemos com uma lucidez que nos espanta, e necessitamos, apenas e simplesmente te pedir perdão.

 


 


EDIÇÃO 31





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