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O Cordel Vive, Viva o Cordel
(Ago/10)

“Um dia, quando se fizer a colheita do folclore poético, reaparecerá o humilde Leandro Gomes de Barros, vivendo de fazer versos, espalhando uma onda sonora de entusiasmo e alacridade na face triste do sertão.”
Luís da Câmara Cascudo

Quando analisamos depoimentos da qualidade deste, e levando em consideração o quilate de sua autoria, por si só seria suficiente para se ter uma idéia da qualidade da obra de Leandro, (1965/1918). Com mais de seiscentos livretos publicados, o mestre da Literatura de Cordel, versou sobre diversos assuntos, na maioria ligada ao social. Criticou o governo (Municipal, Estadual e Federal), foi defensor do “MIUDO”, e combateu as atrocidades do “graúdo”. Foi um homem do povo para o povo. Porém, assim como muitos outros que tomaram partido dos humildes, sentiu na pele o ódio daqueles que se glorificam com as injustiças.

Contradizendo o atestado de morte de Leandro, que determina ter sido pela Influenza Espanhola, há quem diga que foi por (desgosto) causado pela sua prisão arbitrária por causa de um livreto (A Palmatória e o Punhal), no qual narrou a história de um acontecimento local. Segundo Permínio Ásfora, no Diário da Noite de Recife, em 13 de dezembro de 1949, no artigo “Crise do Romanceiro Popular”. A história contada por Ásfora, diz que um Senhor de Engenho indignado com um morador, aplicou nesse uma sova de palmatória. Porém, dias depois, o dito senhor foi surpreendido por violenta punhalada vibrada pela mesma mão que levara os bolos. Leandro aproveitou o incidente para escrever um cordel, e fazer sua crítica. No entanto, o chefe de polícia censurou a posição do poeta, e o prendeu. Esse fato causou um grande desgosto ao cordelista. Estes são os versos causadores de sua prisão:

“Nós temos cinco governos
O primeiro, o Federal,
O segundo, o do Estado,
O terceiro, o Municipal,
O quarto é a palmatória,
E o quinto o velho punhal”

Reafirmando as palavras de Câmara Cascudo, 92 anos após a morte de Leandro, seus versos desabrocham em cachos, e são glorificados por cordelistas do século XXI.

Louvo a Câmara Cascudo
Nosso grande folclorista
Que percebeu em Leandro
Do cordel especialista,
Um poeta habilidoso
Alegre, muito garboso
Sendo o primeiro da lista.



 


EDIÇÃO 31





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