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  Tin Tin Alves,
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tintinalves@ig.com.br



O cordel e a violência


O Nosso Jornalzinho com formato de ¼ de sulfite, com 8, e até 32 páginas, com seu jeito acanhado, com capa cega ou xilogravada, continua ensinando, informando, entretendo. E mais: Ajudando a combater a violência. Inúmeros são os livretos de cordel escritos com essa finalidade: Fazer pedidos fervorosos a Deus, e, levar através dos versos palavras de apoio em tempos difíceis. Hoje de roupa nova e até estampado em páginas da virtuais, bem diferente daquelas do passado, porem, com o conteúdo, seu jeito de dizer, seu modo corrido, (quase cantado), e muitos ainda iniciados com versos de súplicas ou pedidos a Deus para a boa feitura, ainda traz laços apertados com o passado. Essa característica marcante da literatura de cordel de suplicar a Deus logo nos primeiros versos, mas que não é exclusiva dessa literatura, pois bem a podemos notar em obras como do Poeta dos Escravos, em “Vozes D’África” que suplica a Deus mediante o quadro de amarguras da época: “Deus! Ó Deus...” . Como Manoel de Almeida Filho (1914-1995) em “A Triste Sorte de Jovelina” Ó Deus Supremo Juiz / Que tudo faz e domina / Dai-me idéia diversas / Ao que chegue nossa sina / Dando um exemplo cabal / Na sorte de Jovelina”(...) Ou ainda num clássico da Literatura de Cordel de Leandro Gomes de Barros (1865-1918) “Os Martírios de Genoveva” o qual relata os sofrimentos de uma mulher bondosa nas mãos de um homem inescrupuloso, no qual o autor pede o auxílio divino para contar a história: “Oh Deus, Senhor que tiraste / O velho mundo das trevas/ Por haveres confiado/ A terra à Adão e Eva/ Dai-me Luz pra escrever/ Os Martírios de Genoveva.” Nos meus versos de cordel, também fiz uso dos mesmos para denunciar a violência, e foi justamente prevendo o que está acontecendo no Rio de Janeiro, que seis anos anos atrás escrevi uma cartinha para Deus pedindo socorro. Quinze dias após após ter escrito a carta, escrevi a resposta de Deus também em versos. Ele me pediu paciencia e preserverança dizendo-me que há tempo pra tudo, e pra tudo há o seu tempo. Será que chegou nosso tempo de paz, ou é utopia de minha parte?

Carta Para Deus

Terra um belo dia
Saudações Grande Senhor
Estou hoje te escrevendo
É pedindo por favor,
Que leia minha cartinha
E que atenda meu clamor.

Sempre de braços abertos
Está o cristo redentor
Boquiaberto com certeza
Pasmo com tanto horror
Do povo desnorteado
Diante de tanta dor

Nosso rio de janeiro
Que é cartão postal
Referencia do Brasil
Âmbito internacional
Virou manchete diária
Página policial.
(...)


 


EDIÇÃO 31





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