Fiquei triste
e pensativo outro dia quando durante uma conversa com um professor
de língua portuguesa, fui questionado sobre o que era
literatura de cordel. No momento, fiquei um tanto aturdido,
a até questionei-me quanto a minha luta pela preservação
e resgate desta literatura. Sem ter uma resposta à altura
do questionamento, claro, por si tratar de um professor, apenas
pedi-lho que visitasse o “Sr. Google”, e fizesse
a mesma pergunta que a mim havia feito. Alguns dias depois,
o dito professor procurou-me, e humildemente, disse-me que estava
envergonhado pela pergunta, diante do grande universo encontrado
na internet sobre Cordel. Falou-me ainda que estava desenvolvendo
um trabalho junto com seus alunos, com o tema: “O Cordel
Hoje”. E mais, que havia descoberto umas centenas de nomes
que paralelamente com a literatura dita oficial, produzia outra
em versos que nada deixava a desejar, mas que o que mais o surpreendera,
tinha sido o grande número de trabalhos acadêmicos
tendo a literatura de cordel como tema. Alegrei-me com o fato,
e disse-lhe que na verdade o meu trabalho não era um
resgate, mas sim um fino fio entre os inúmeros fios que
ao longo dos tempos vem tecendo a imensa teia, que a Literatura
de cordel não precisava de resgate porque jamais estivera
em decadência, que esteve sempre presente, que jamais
se distanciara do povo, porém, por conta de “uns
poucos” criou-se essa ilusão de que estava à
beira da morte. Bem sei que muitos professores se encontram
nessa condição qual se encontrava o aqui citado,
mas que o “Sr. Google” está pronto para tirá-los
dessa escuridão. E mostrar-lhes que o nosso velho livreto
soube com maestria galgar e ocupar um lugar merecido, tomando
diversas formas e formatos, tal qual como nossa língua,
se veste dependendo das condições do tempo, e
lugar. Atualmente, além do trabalho para resgatar obras
perdidas ao longo desses anos, muitos cordelistas no Nordeste,
mas também em São Paulo, e em outros tantos lugares,
como Klévisson Viana, Marciano Medeiros, Moreira de Acopiara,
Josias Patriolino, Nivalci labareda, Nando poeta, e outros tantos,
dão continuidade à essa literatura, versificando
os fatos do dia a dia, e criando belas histórias.
O cordel não é daqui
Pois na Europa nasceu
No século dezenove
No nordeste apareceu
Visto que não foi à-toa
Lá encontrando terra boa
Muito cedo floresceu
A esses Cabras que
semeiam o Cordel pelo Brasil, deixo meus Tin Tins poéticos.