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  Tin Tin Alves,
cel.(11)8983-8266
tintinalves@ig.com.br

O Cordel Vive, Viva o Cordel!

Fiquei triste e pensativo outro dia quando durante uma conversa com um professor de língua portuguesa, fui questionado sobre o que era literatura de cordel. No momento, fiquei um tanto aturdido, a até questionei-me quanto a minha luta pela preservação e resgate desta literatura. Sem ter uma resposta à altura do questionamento, claro, por si tratar de um professor, apenas pedi-lho que visitasse o “Sr. Google”, e fizesse a mesma pergunta que a mim havia feito. Alguns dias depois, o dito professor procurou-me, e humildemente, disse-me que estava envergonhado pela pergunta, diante do grande universo encontrado na internet sobre Cordel. Falou-me ainda que estava desenvolvendo um trabalho junto com seus alunos, com o tema: “O Cordel Hoje”. E mais, que havia descoberto umas centenas de nomes que paralelamente com a literatura dita oficial, produzia outra em versos que nada deixava a desejar, mas que o que mais o surpreendera, tinha sido o grande número de trabalhos acadêmicos tendo a literatura de cordel como tema. Alegrei-me com o fato, e disse-lhe que na verdade o meu trabalho não era um resgate, mas sim um fino fio entre os inúmeros fios que ao longo dos tempos vem tecendo a imensa teia, que a Literatura de cordel não precisava de resgate porque jamais estivera em decadência, que esteve sempre presente, que jamais se distanciara do povo, porém, por conta de “uns poucos” criou-se essa ilusão de que estava à beira da morte. Bem sei que muitos professores se encontram nessa condição qual se encontrava o aqui citado, mas que o “Sr. Google” está pronto para tirá-los dessa escuridão. E mostrar-lhes que o nosso velho livreto soube com maestria galgar e ocupar um lugar merecido, tomando diversas formas e formatos, tal qual como nossa língua, se veste dependendo das condições do tempo, e lugar. Atualmente, além do trabalho para resgatar obras perdidas ao longo desses anos, muitos cordelistas no Nordeste, mas também em São Paulo, e em outros tantos lugares, como Klévisson Viana, Marciano Medeiros, Moreira de Acopiara, Josias Patriolino, Nivalci labareda, Nando poeta, e outros tantos, dão continuidade à essa literatura, versificando os fatos do dia a dia, e criando belas histórias.
O cordel não é daqui
Pois na Europa nasceu
No século dezenove
No nordeste apareceu
Visto que não foi à-toa
Lá encontrando terra boa
Muito cedo floresceu

A esses Cabras que semeiam o Cordel pelo Brasil, deixo meus Tin Tins poéticos.


   



EDIÇÃO 29

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