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  Tin Tin Alves,
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tintinalves@ig.com.br

“Cordel Desencantado”

Enquanto uma grande rede de televisão leva até os mais remotos lares os encantos do Cordel, aqui pertinho de nós, numa cidade da grande São Paulo, um cordelista em princípio de carreira, escreve um “Cordel desencantado”. Que bom seria se o cordel nos legasse apenas encantos! Mas não, assim como qualquer outra literatura, a Literatura de Cordel muitas vezes retrata fatos tristes e vergonhosos em histórias fictícias ou verdadeiras, e muitos desses fatos foram parar nos nossos ditos livretos de cordel. É o cordel cumprindo sua missão informativa. “E rapidamente descobri que aquela literatura, então pouco prestigiada e de fato humilde, narra a história do Brasil tão bem quanto os livros de história, os romances, a poesia, as peças dramáticas, e que as ilustrações de capa dos folhetos são tão reveladoras quanto a arte, a fotografia, o diapositivo ou o filme.” (História do Brasil em Cordel –Mark Curran) Ás vezes quando falamos em Literatura de Cordel, muitas pessoas logo imaginam um livretinho com versos contando histórias de valentões, casos engraçados, histórias da carochinha, etc. Mas não, como podemos bem notar pelas palavras de Mark Curram, estudioso americano que esteve aqui no Brasil por mais de 30 anos estudando a Literatura de Cordel, o nosso Cordel é bem mais que entretenimento. Assim como o bom jornalista que busca sua notícia diretamente na fonte, o cordelista também para compor seus versos colhe os fatos com capricho e verdade. “O cordel desencantado” a que citei, é o resultado da observação de um poeta de Taboão da Serra, que diante dos acontecimentos ora vividos por essa cidade, resolveu compor versos baseados no seu próprio desencanto como cidadão. O poeta de quem falo, é Toninho Poeta, que além de poetar, faz seu trabalho civil cumprindo o papel do verdadeiro cidadão. Tal qual Toninho Poeta, muitos outros como Leandro Gomes, José Pacheco, Cuíca de Santo Amaro, Manoel Pereira sobrinho, Nando Poeta, Moreira de Acopiara, etc. Não hesitaram, ou hesitam desencantar seus versos em prol da verdade.
Infelizmente finalizo aqui com uma estrofe desencantada:
“Entra ano e sai ano
A tal da politicagem
Vicia os candidatos
Eleitos à malandragem
Optarem pela mamata
Onde a lambança farta
Atrai a picaretagem”
(Toninho Poeta)


   


EDIÇÃO 31





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